• Só pela pureza da resposta das crianças
  • Por Edgar Esteves

    Era um dia de domingo e, literalmente, tentando imitar São Pedro, caminhávamos sobre a água. A intenção era, realmente, caminhar próximo aos mananciais, verificar o que acontece e conversar sobre a situação e possíveis soluções.

    Participava do evento um funcionário da Cetesb, órgão que, todos sabem, fiscaliza as ações relacionadas ao meio ambiente. Num dado momento, em face de toda a deterioração encontrada no córrego, o fiscal da Cetesb soltou uma joia, mais ou menos assim: “Eu acho que vocês estão muito preocupados, não demora e algum prefeito vai tubular, o córrego some e o problema ta resolvido”.

    primeira caminhada compactada

    Pensei até tratar-se de uma brincadeira, mas ele falava sério e queria demonstrar conhecimento. Provavelmente, pensei, ele quisesse dizer, vamos cobrir o córrego porque os olhos não vendo, o coração não sente. Se a gente não vê é como se não estivesse acontecendo e se não esta acontecendo porque se preocupar, não é mesmo? Faz sentido? A gente até se lembra do grande René Descartes “não vejo, logo não existe. Não penso, logo não existo”.

    Nunca é demais repetir que nós brasileiros ainda estamos na era da tubulação. Enquanto países desenvolvidos retiram os tubos e promovem um retorno à paisagem natural, refazem as margens dos rios e córregos, nós ainda estamos enfiando tudo no tubo.

    No regime democrático é pressuposto que todos estejam livres para expor o que bem entendem. Funcionário da Cetesb, no entanto, é um especialista que, para desempenhar suas funções, precisa conhecer os assuntos relacionados ao meio ambiente. Surge a pergunta: se quem precisa fiscalizar tem conceitos “esquisitos” em relação à preservação do meio ambiente, o que será de nós, né mesmo?

    De qualquer forma se fosse fácil não precisava da gente. O ser humano não se interessa por assunto sem solução, tipo assim, se não tem o que fazer, entrega pra Deus. Não é recomendável somente criticar, sufocar, necessário, também, elogiar, procurar soluções. Temos quase tudo por fazer pelo meio ambiente e é importante insistir. Só por Deus e com as crianças. Só elas serão capazes de uma reviravolta tão grande quanto necessária na forma de pensar e lidar com o meio ambiente.

    Citando Gonzaguinha, eu fico com a pureza das respostas das crianças, a vida é bonita e é bonita. Alem do que, é preciso insistir sempre que há beleza e efetividade em ser um eterno aprendiz. Para os mais velhos, só resta ensinar e ensinar as crianças sobre a melhor forma de conviver com o meio ambiente. Não é mais suficiente só esperança com relação a futura atuação dos mais jovens, precisamos da certeza.

    Quinta-feira, 17 de janeiro de 2013.

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