• Os riscos da poluição hormonal na água
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    Contaminantes pouco conhecidos, mas disseminados pelas águas do planeta, comprometem o sucesso reprodutivo de várias espécies animais e levantam suspeitas sobre os possíveis danos à saúde humana.

    A causa é um tipo de  poluição ainda pouco comentado fora da  academia, mas que é objeto de estudo de  um número crescente de  cientistas. São contaminantes que se disseminaram em grande escala pelo planeta desde o século 20, pondo em risco a  biodiversidade e, suspeita-se, também a saúde humana.

    As substâncias hidrossolúveis (solúvel em água) contaminam o esgoto e se disseminam pelo planeta através dos rios e oceanos. De plásticos a pesticidas, de cosméticos a substâncias de uso industrial, passando por detergentes, as fontes são inúmeras e difusas (veja quadro abaixo). Nessa categoria encontram-se os estrógenos naturais excretados por mulheres e qualquer outra fêmea de mamífero. Como sua concentração na urina é muito baixa (da ordem de nanogramas por litro), eles passavam despercebidos pela química analítica, cujos métodos apropriados para detectar quantidade tão ínfima (mas suficiente para deflagrar efeito biológico) só surgiram na última década. Até hoje, porém, nenhum método de tratamento de esgoto ou da água é capaz de removê-los.

     

    Quadro Revista Unesp

     

    “Conhecidos como interferentes endócrinos, eles mimetizam a ação do estrógeno, o hormônio sexual feminino”, diz a matéria completa na Revista Unesp. Só para entender, os tais interferentes endócrinos formam um conjunto muito heterogêneo de substâncias, mas podem ser classificados em duas categorias básicas – os solúveis e os insolúveis em água –, o que ajuda a entender onde eles estão presentes e o que é possível fazer para combater o problema.

    Em animais, o efeito mais evidente é a feminilização de machos, e, com menor frequência, a masculinização de fêmeas. “Tudo depende do composto, da espécie e da fase do desenvolvimento em que o organismo é exposto”, diz Mary Rosa Rodrigues de Marchi, do Instituto de Química da Unesp em Araraquara. Evidências sobre os efeitos em humanos ainda são inconclusivas, mas não falta quem suspeite que a queda acentuada na contagem de espermatozoides em homens nos últimos 60 anos seja uma possível consequência.

     

    Projetos como esse são bem-vindos, mas o desafio da descontaminação da água é mais complexo, porque medidas de larga escala envolvem a esfera estatal. “No Brasil há pouco tratamento de efluentes industriais ou domésticos, o que faz de nossos rios praticamente esgotos a céu aberto”, diz Wilson Jardim, que coordena um projeto temático da Fapesp sobre interferentes endócrinos em águas para consumo humano.

    Depois das mudanças climáticas, a poluição hormonal talvez seja o problema ambiental global mais complexo que a humanidade tem para resolver. Algumas iniciativas estão sendo tomadas, mas muitas outras serão necessárias nos próximos anos para que a remediação dos danos à biodiversidade, os mais bem conhecidos, seja perceptível.

    Os especialistas ouvidos afirmam que não há motivo para pânico, afinal, convivemos com essas substâncias há muito tempo. E não há solução de curto prazo. É hora de investir em mais pesquisa para produzir mais conhecimento e assim sensibilizar as autoridades. E isso já começou a ser feito.

     

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    Fonte: Luciana Christante/Revista Unesp

    Sexta-feira, 28 de dezembro de 2012.

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