• O efeito do clima sobre as algas
  • Um grupo de cientistas do Instituto de Biociências da USP estuda efeito do clima sobre as algas. Conhecimento permitirá saber quais os efeitos de um provável desequilíbrio na cadeia alimentar.

    Na natureza, quando a população de algum ser vivo é afetada, quer seja organismos muito pequenos, plantas ou grandes predadores, ocorre um desequilíbrio na cadeia alimentar (veja ilustração abaixo), fazendo com que outros seres também sejam atingidos. Quando a interferência ocorre nas algas então, o problema é ainda maior, já que elas são a base dessa cadeia. O Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) criou uma linha de estudos que trata exatamente da fisiologia das algas marinhas microscópicas e busca verificar como elas respondem biologicamente às diferentes condições ambientais.

    cadeia alimentar

    Baseados nas previsões científicas de que ocorrerá um aumento da temperatura dos oceanos de até 4 graus Celsius, cientistas, coordenados pela professora Fanly Fungyi Chow Ho, já avaliam as alterações das algas na temperatura elevada. “Misturamos esses fatores que ocorrem simultaneamente no ambiente para tentar entender como as algas responderiam a uma suposta alteração ocasionada por mudanças climáticas globais”, explica Ho.

    O aumento da temperatura dos oceanos leva também a uma maior acidificação da água marinha e, consequentemente, a perda de nutrientes. E este pode ser o principal fator de morte das algas. Apesar dos resultados ainda incipientes, devido a pouca duração da experiência, o grupo já constatou que algas sujeitas a condições de baixo teor de nutrientes teriam menor capacidade de sobreviver às mudanças climáticas globais. Ho explica que “os nutrientes são a fonte de alimento das algas, e com essa fonte elas criam um maquinário para crescer, se reproduzir e resistir à mudanças ambientais”.

    Além disso, foi detectado que entre as espécies mais suscetíveis a essas mudanças estão as algas pardas, que predominam e são estruturadoras da comunidades — o que faria com que outros organismos também fossem prejudicados. “A alteração desse organismo estruturador da comunidade interfere na sequência de todos os organismos que dependem dele”, afirmou a professora.

     

     

     

     

     

     

    Ela ressalta que as mudanças seriam impactantes não apenas para as algas analisadas. Uma variação na temperatura, na luminosidade, na acidez e na disponibilidade de nutrientes pode criar um cenário muito drástico para a grande maioria das espécies de algas. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas Globais (IPCC, na sigla em inglês), há mais de 90% de certeza científica de que as alterações no clima são intensificadas pelas atividades humanas. E essas mudanças serão mais aceleradas por conta da urbanização e da industrialização.

    Neste cenário, pesquisas com organismos como as algas são essenciais pois são consideradas bioindicadoras de impactos ambientais na água. “É importante priorizarmos a biologia desses organismos, porque eles são a base do ambiente que nós temos. É entendendo e ampliando esse conhecimento que poderemos ter um ambiente melhor e usufruí-lo de uma forma sustentável – social, ecológica e economicamente equilibrada”, conclui Ho.

    PeixesCadeiaAlimentar

    Fonte: Terra da Gente, com info Agência USP

    Quarta-feira, 09 de janeiro de 2012.

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