• Biodigestores: fonte de energia a partir do esgoto!
  • O Brasil despeja diariamente 8 bilhões de litros de esgoto praticamente in natura nos cursos d’água das grandes cidades do país. Estes são os dados alarmantes do relatório do Instituto Trata Brasil sobre como estão os sistemas de água e esgoto nas 100 cidades brasileiras mais populosas. O relatório mostrou ainda que mais de 36% de todo o esgoto produzido nesses lugares não são devidamente tratados, e tudo é lançado diretamente nos rios.

    Uma opção para reaproveitar as águas de esgoto (e também dejetos de criações de animais) na geração de energia para residências é o sistema de Biodigestor. Basicamente, neste sistema ocorre a fermentação anaeróbica (sem oxigênio) por bactérias de materiais orgânicos, formando o Biogás (cerca de 75% metano e 25% CO2) e o Biofertilizante. No caso da geração de energia (biogás), o biodigestor recupera o gás metano produzido naturalmente pela decomposição orgânica e o canaliza para uso doméstico. O lodo (biofertilizante), que também se origina no processo, pode ser utilizado para fertilizar plantas, e a água remanescente, menos poluída, pode ser vertida em rios vizinhos sem maiores problemas de poluição.

    Além disso,  o tratamento de dejetos pelo sistema de biodigestor possui outras vantagens, como eliminação de organismos patogênicos e parasitas, ajuda no combate ao aquecimento global pela queima do gás metano, redução de desmatamento para retirada de lenha e capacidade de estabilizar grandes volumes de material orgânico (esgoto) diluído a baixo custo.

    A tecnologia de biodigestores existe há pelo menos duas décadas no Brasil e teve início com modelos provenientes da China e Índia. Nestas duas décadas houveram avanços tecnológicos significativos que possibilitaram a solução de várias dificuldades. Em 2010 foram apresentados resultados de um biodigestor aperfeiçoado, desenvolvido a partir de um estudo em parceria entre a USP e a Universidade de Gênova, na Itália, que produziu 40% mais biogás a partir do esgoto, do que os aparelhos comuns. O gás é purificado durante o processo, o que faz com que o modelo gere cerca de 50% mais energia. O produto final apresenta, ainda, semelhanças ao gás natural veicular, GNV. Além de todo o processo, microalgas foram acopladas para retirar o gás carbônico e aumentar a concentração de metano no biogás.

    Algumas iniciativas no Brasil já trouxeram resultados expressivos, como no caso da cidade serrana de Petrópolis-RJ, que desde 2004 implantou o sistema de biodigestores e hoje é referência nacional no assunto. O projeto é incentivado pela ONG Instituto Ambiental (OIA) e beneficia cerca de 30 famílias de bairros populares na cidade.

    É importante frisar que o biodigestor não trata os resíduos sanitários, ele apenas os recicla e reutiliza. Mesmo assim, o biodigestor é uma ótima solução em locais onde não há rede coletora e de tratamento. Este sistema também pode ser utilizado em áreas rurais, com dejetos de animais domésticos, podendo reduzir o odor e a proliferação de moscas.

    Está aí um exemplo de tecnologia que poderia ser melhor aproveitada no Brasil, já que o país dispõe de condições climáticas favoráveis para explorar a imensa energia derivada dos dejetos animais e urbanos. Por que não?

     Fonte: Ambiente Brasil

     

    Acesse o relatório do Instituto Trata Brasil na íntegra

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