• Árvores guardam registros do regime de chuvas
  • Um novo método usa anéis de crescimento de árvores para revelar a evolução do clima e a dinâmica das chuvas na Amazônia ao longo do Século XX.

    Este método ajuda a cobrir uma lacuna de informações sobre a história climática da região, que têm levado modelos matemáticos a resultados contraditórios sobre os efeitos do aquecimento global.

    Esta nova técnica foi desenvolvida por um grupo de pesquisadores de várias instituições, como o Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento do Peru (IRD), o Centro Alemão de Pesquisas de Geociências (GFZ), a Universidade de Lees (Reino Unido) e Utrecht (Holanda). O trabalho foi recententemente publicado na edição online da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

    De acordo com o pesquisador alemão Gerhard Helle, um dos responsáveis pelo estudo, este estudo pode contribuir para o entendimento das consequências do aquecimento global no futuro na região: “Com esse novo método, descobrimos uma ferramenta extremamente poderosa para olhar para o passado, o que permite conhecer melhor a magnitude da variabilidade natural do sistema climático”. Helle afirma ainda que os dados obtidos em apenas 8 árvores surpreenderam provendo informações não só sobre as condições de chuvas locais, mas também de toda a região. Os pesquisadores analisaram os anéis de crescimento da Cedrela adorata, uma espécie encontrada na Bolívia e descobriram que eles preservam as composições da chuva na Amazônia. O método usa a variação dos isótopos de oxigênio, os quais são fortemente relacionados à quantidade de chuva sobre a região.

    Com aproximadamente 150 anos de idade, as árvores usadas no estudo apresentaram evidências de eventos extremos durante o século 20, como o El Niño de 1926. A nova técnica mostrou ser mais precisa do que a medição do diâmetro dos anéis de crescimento, que indicam a quantidade de carbono absorvida pela árvore. “Ambos os métodos expressam uma intensificação do ciclo hidrológico”, analisa Helle. “Para ter certeza disso, temos de investigar mais profundamente outros locais na bacia amazônica “.

    Segundo os pesquisadores, a medição dos isótopos de oxigênio dos anéis de crescimento das árvores também traz informações valiosas sobre a quantidade de chuva que é transportada pelo maior sistema de rios do mundo para o oceano Atlântico. Cerca de um quinto de toda a precipitação sobre ilhas e continentes em todo o mundo acontece na Bacia Amazônica.

    Fonte: O Eco

    Sábado, 27 de outubro de 2012.

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