• A qualidade da água no Rio Machado e a fauna aquática
  • O objetivo é descobrir a relação entre o tempo do desmatamento e a fauna aquática.

    A diversidade ambiental e o recente processo de desmatamento têm motivado a realização de pesquisas na região norte do Brasil. Buscando conhecer os peixes da bacia do Rio Machado, em Rondônia, uma equipe de pesquisadores do Laboratório de Ictiologia e do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal do Ibilce levantou dados sobre as diferentes espécies de peixes e o histórico das mudanças no uso do solo. Realizada em 75 igarapés (como são conhecidos os riachos na região norte), a coleta identificou 150 espécies, aproximadamente 10% delas novas para a ciência.

    A professora Lílian Casatti, coordenadora do estudo, explica que a proposta é gerar informações sobre uma região muito pouco conhecida em relação à fauna de peixes de igarapés e que tem sofrido uma enorme pressão antrópica – isto é, causada pelo homem – em um espaço de tempo relativamente curto, sobretudo se comparado ao chamado “tempo de antropização” do interior de São Paulo. Os principais motivos do desmatamento em Rondônia, segundo ela, são o estímulo aos assentamentos agrícolas, juntamente com a expansão das cidades e a abertura de novas estradas.

    A bacia do Rio Machado está inserida em uma das regiões que apresenta um histórico de desmatamento recente, que teve início no final da década de 60 e se intensificou no início da década de 80, reduzindo drasticamente a área de floresta na bacia. “Mesmo assim, ainda é possível encontrar áreas de floresta pouco modificada em grandes fragmentos localizados na região do baixo Rio Machado, mais próxima ao Rio Madeira”, constata.

    O pesquisador Gabriel Brejão, bolsista do Laboratório de Ictiologia, afirma que o que foi percebido até o momento é que em áreas mais conservadas a riqueza de espécies é maior do que nas áreas mais degradadas e que a abundância de indivíduos nas áreas conservadas é maior do que nas degradadas. “O próximo passo será entender como o processo histórico de desmatamento, que será avaliado de 1984 a 2011, está afetando a comunidade de peixes em relação à riqueza de espécies”.

    Descobriu-se também que há um grande número de espécies representadas por poucos indivíduos que habitam micro-habitats bem particulares, como buracos de troncos caídos e brânquias de outros peixes. Fora essas informações locais, os pesquisadores vão utilizar dados históricos de uso do solo para comparar ao que se tem hoje, o que irá mostrar a quantidade de floresta presente em cada uma das microbacias amostradas e a idade do desmatamento.

    As informações de desmatamento das áreas foram geradas por meio de imagens de satélite. As amostragens dos peixes foram realizadas entre junho e setembro de 2011 e de 2012, em trechos dos igarapés. “Por existir esses registros históricos, é possível traçar um paralelo passado-presente sobre como o desmatamento na região influencia na vida aquática, tomando por base os peixes”, explica Lilian. “Com isso, procuramos descobrir informações importantes para a conservação da biodiversidade e qualidade da água dos pequenos igarapés”.

    por Marina Mattar (Notícias Unesp)

    Quarta-feira, 07 de novembro de 2012.

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